sábado, 4 de abril de 2015

                WONDER WOMEN


Outro dia, vindo de Portugal conheci uma moça, 25 ou 26 anos de idade. Muito inteligente, senão não a teria dado conversa (kkk). O papo rolou bacana durante as nossas 10 horas de vôo. Lá pelas tantas, começamos a discutir sobre as mulheres maravilhosas do mundo. Óbvio que a lista é interminável e não parávamos mais de discutir, desde suas imagens até seus atos heroicos ou atitudes incomuns, o que dava a elas o status de maravilhosas. Ninguém ficou de fora, nem Nefertite, Cleópatra, Chica da Silva etc.

Óbvio que tema era apaixonante, especialmente para mim, defensora inconteste do nosso sexo nada frágil. Teríamos desenvolvido uma bela amizade senão o fato de ter dito em deboche que "havia uma doida brasileira que queria ocupar o lugar da rainha de Portugal". Assustei-me com o tom e a informação a mim desconhecida. Interrogando-a sobre a personagem, descobri que ela se referia à minha heroína preferida a mineiríssima Chica da Silva. Fiquei chateada no momento mas depois descobri que realmente, o Marques de Pombal à época espalhou tal boato pela corte com o fim de deter o poder e fama de Chica ora já ultrapassando o continente (ver o livro Chica que Manda, de Agripa Vasconcelos). 


Os dias passam, as horas voam e nessa nunca deixei de pensar nessas maravilhosas mulheres, e que um dia escreveria sobre cada uma delas. Óbvio que não será neste texto, uma vez que escrever sobre wonder woman merece muita acuidade.


Viajando com meu filho de Jordânia a Vitória, encontrei no ônibus uma senhora muito simpática, chamada Ailza. Primeiro entreteu meu filho com joguinhos e biscoitos  enquanto eu cochilava. Depois na vez dele cochilar um pouco durante a longa viagem, tocou a mim o resto do bate papo. Vinha ela de Belo Horizonte viver na cidade de Itamarajú  com o novo marido. Havia se separado do ex, depois de muitos anos de relação. Deu um chute na panela, um basta no passado e estava indo com a cara e a coragem rumo à vida nova. Os 52 anos de idade em nada falavam nas suas atitudes, que ao meu ver muito positivas. Senti muita admiração por Ailza. A convidei para ser minha amiga no face.

Outra conhecida foi a Martha. Professora do interior do Espírito Santo, abandonada pelo marido com uma penca de filhos pequenos, um ainda na barriga. Deu conta sozinha do recado. Para manter a prole trabalhava em três turnos e ainda assim deu aos filhos uma educação de esmero. Que bênção foi para mim conhecer Martha, exemplo de força, de positividade, de garra e energia. O arroz gelado que as crianças comiam diariamente se aquecia com o calor do feijão, único prato com tempo para ser esquentado na pressa de voltar logo ao trabalho e mandar os pequenos para a escola. Eram quatro ao todo. Hoje todos lindos, fazendo faculdade, casados, felizes enfim. Minha admiração por Martha é grande. Não pelo fato de ser ela a heroína da sua própria história, mas pelo fato de não ter deixado a peteca cair. De ter batido a poeira e dado a volta por cima, numa boa, sem traumas ou deixado os filhos ficarem traumatizados.

No rol das minhas mulheres maravilhosas entra o João (?). Não é mulher nem tampouco viado, antecipo o pensamento dos apressadinhos. João prendeu minha admiração, quando a ex, num auge de "quero me rebelar", o abandonou com a filhinha de dois meses. Sem pestanejar, ele arregaçou as mangas e criou a moleca maravilhosamente. E olhem que sem empregadas, babás ou parentes. Tudo sozinho. A bimba hoje está com dez aninhos, coisa mais linda do papai. Como ele deu conta sozinho, dividindo a atenção entre a filha e o trabalho de feirante, é um segredo que tenho curiosidades e quero perguntar a ele se tiver oportunidade. João tem o meu respeito.

Entra no meu rol a minha mãe. linda, tem 70 anos mas finge 17. Disputa nas boutiques as roupas da moda com a minha sobrinha de 20. Aparentemente parece ser uma pessoa frívola e me questiono porquê minha mãe entraria no rol das minhas wonder women. Um dia, enquanto no hospital internada por pneumonia e uma parada cardíaca, proibida de comer tudo, às duas da madrugada  minha mãe subornou os guardas do hospital. Entrou lá dentro com uma bisteca enorme de porco, frita na mais pura gordura de botequim (imaginem a hora) e uma vitamina de várias frutas amarelas, misturadas ao leite. devorei tudo  aquilo como desesperada. Ela de soslaio tinha um risinho de satisfeita por ver a filha quase morta comendo daquele jeito num leito de UTI. Meu pai também estava lá e enquanto eu comia, ouvia os dois resmungando que "os médicos estavam me matando de fome"... (kkk). Fiquei boa em dois dias. Minha relação com minha mãe nunca foi das boas, mas confesso, que naquele dia senti muito respeito e admiração por ela.  Este fato e muitos outros parecidos fazem com que Dona Lita entre na lista das maravilhosas.

Entro eu, que tenho nada de especial a não ser ser eu. Não sou bonita, não tenho histórias pra contar, não fiz nada de inusitado, mas faço parte deste mundão pra contar histórias. Sinto que  seria injusto comigo não me colocar no meu próprio rol de mulheres maravilhosas. Portanto eu me incluo nas wonder.

A Dilma presidente não entra na minha lista. Me questionei várias vezes se ela seria digna de ser lembrada,  mesmo que negativamente neste texto e depois de batutar muito com meus pensieri, resolvi citá-la, mesmo assim .  Perdeu o meu respeito a partir do momento em que pregava uma coisa em campanha e após tomar posse agiu forma contrária por completo, ludibriando todos aqueles que nela confiaram. Perdeu o meu respeito por não ter moral em assumir um posto que não a pertence, pois todos sabemos da fraude que foi a eleição que a colocou pela segunda vez como presidente. para mim ela não passa de uma fraude. Sempre foi uma fraude e o será sempre. 

Eu
Litinha (minha mãe)
Chica da Silva
Anita Garibaldi
Maria Ortiz
Dandara dos Palmares
Martha
João
Ailza
Cleópatra
Nefertiti
(agora vocês!)


By Carla Luts


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