sábado, 27 de setembro de 2014

USO INDEVIDO

Por Merval Pereira
 Temos uma presidente que usa a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) para montar uma grotesca propaganda eleitoral, e ao mesmo tempo se pronuncia de maneira absurdamente equivocada contra os ataques dos Estados Unidos e outras nações ao Estado Islâmico, com o endosso da própria ONU.

O que provoca mais a “vergonha alheia”, aquele sentimento que a gente sente quando alguém faz alguma coisa que não deveria? No caso em pauta, essa vergonha é turbinada por que as gafes presidenciais levam ladeira abaixo a imagem do país que ela representa. 
Mais que uma “vergonha alheia” é uma vergonha direta, pois a presidente Dilma nos representa, com toda a legitimidade, mas abusa do poder ao impor suas idiossincrasias à política externa do país, que tem uma tradição que vem sendo distorcida nesses anos de petismo explícito.

Pode ser que tenha sido alertada por algum assessor – haverá os que a alertam sem receio de levar um contravapor como os muitos que conhecemos por relatos próprios ? –, mas o fato é que a presidente Dilma ontem, no discurso oficial de abertura da reunião geral da ONU, não foi explícita em sua crítica aos ataques da coalizão de países contra o Estado Islâmico.

Dilma, que na véspera dissera “lamentar enormemente” os bombardeios, apenas condenou o “uso da força” e as ‘intervenções militares’ como forma de resolver conflitos, o que já é um absurdo dito assim, genericamente.

Mas o absurdo de dar o mesmo tratamento aos Estados Unidos e ao Estado Islâmico já havia sido perpetrado no dia anterior, quando a presidente disse em uma entrevista coletiva que “os dois lados” precisavam dialogar, como se fosse possível diálogo com um bando de terroristas que decepam cabeças ao vivo na televisão.

Discursando logo depois, e certamente não em resposta à nossa “soberana”, mas aos críticos em geral dos ataques contra os radicais que dominam territórios no Iraque e na Síria, entre os quais se encontra o “democrata” Putin, presidente da Rússia, o presidente americano Barack Obama disse que “a única língua que assassinos entendem é a força”.
Uma nota oficial de Ban Ki-Moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, também tratou do assunto, já que a ONU apóia os ataques. Para Ki-Moon os adeptos da barbárie só serão contidos por operações militares como as executadas pelos Estados Unidos.

Quando ela decidiu que iria fazer o discurso de corpo presente em NY, pensava-se que a presidente Dilma aproveitaria essa presença no cenário internacional para reforçar uma imagem presidencial que a sobrepõe |à imagem de Marina Silva, de acordo com seus marqueteiros.

Mas não bastava a imagem, seu discurso na ONU foi de uma candidata, sobre questões nacionais, auto-elogios que criaram um quadro cor de rosa para a situação atual, fora completamente do contexto real em que disputa a reeleição. Ela negou depois que falasse para as câmeras do marqueteiro João Santana, e está moralmente impedida de usar essas imagens na sua propaganda eleitoral. Mas isso não deve ser empecilho para usá-las.

Tão eleitoreiro foi seu discurso que achou um meio de encaixar lá pelas tantas o elogio à decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, “assegurando-lhes todos os direitos civis daí decorrentes”. Uma maneira de trazer à baila a questão do casamento gay, cuja aprovação constava de um esboço do programa de Marina e foi suprimida.

A candidata do PSB adotou a mesma posição, apoiando a legislação aprovada pelo STF, mas a campanha oficialista tenta carimbar-lhe a peja de evangélica à serviço da homofobia.
A presidente que tenta a reeleição abusa mais uma vez da sua condição para estabelecer uma disputa desigual. Como disse Marina, é uma guerra entre o mangangá, um besouro enorme "com um ferrão poderosíssimo" , e o carapanã, um pequeno pernilongo.

A vaca e o brejo (2) 

O fato de o fundo soberano estar quase todo ele baseado em títulos do Banco do Brasil é apenas mais uma das esquisitices que se descobriu agora, que o governo raspou o tacho para cobrir um buraco nas contas públicas de R$ 3,5 bilhões.
Se é um fundo anticíclico, como pode estar lastreado em títulos que certamente sofrerão com a crise internacional que o país vive?

Se é um fundo de poupança para tempos de “vacas magras”, como definiu a presidente Dilma, como retirá-lo para tapar o buraco das contas, e não para apoiar investimentos?
Outro dia escrevi aqui uma coluna cujo título era “O brejo e a vaca”. Não há mais dúvida de que a vaca magra está indo para o brejo.

A vaca e o brejo (3)

Há sete meses que o Ministério Público tenta ouvir, e não consegue, o ex-presidente Lula a respeito de acusações do lobista Marcos Valério no caso do mensalão. Por que será?consulte o link

By Carla Luts


A COISA TÁ PRA LÁ DE FEIA PRO LADO DA DILMA 2

Segundo Paulo Roberto, em 2010,  Palocci apelou ao esquema corrupto para financiar a campanha de Dilma
Segundo Paulo Roberto, em 2010, Palocci apelou ao esquema corrupto para financiar a campanha de Dilma
O engenheiro Paulo Roberto Costa, que está preso na Polícia Federal do Paraná, deve ser solto até segunda-feira. Será monitorado por uma tornozeleira eletrônica. A liberdade é parte do acordo de delação premiada. De saída, pode-se afirmar que a concessão só está sendo feita porque se considera que, até aqui, ele efetivamente está contribuindo para desvendar os meandros dos crimes cometidos pela quadrilha que operava na Petrobras. Há duas semanas, VEJA revelou parte do que ele disse à Polícia e ao Ministério Público, incluindo a lista de políticos que, segundo ele, se beneficiaram do esquema. Lá estão cabeças coroadas do Congresso e também o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Na edição desta semana, VEJA revela um conteúdo que compõe o núcleo atômico da denúncia. Paulo Roberto liga o esquema corrupto à eleição de Dilma Rousseff em 2010. É isso mesmo!
Costa, como se sabe, era diretor de Abastecimento da Petrobras. Por sua diretoria, passavam negócios bilionários, como a construção de refinarias, aluguel de navios e plataformas e manutenção de oleodutos. Ele chegou ao posto em 2004 — e lá permaneceu até 2012, já no governo Dilma — pelas mãos do PP, mas foi adotado depois pelo PMDB e pelo PT. As empreiteiras que negociavam com ele pagavam 3% de comissão, e o dinheiro era distribuído, depois, a políticos. Sim, Paulo Roberto pegava a sua parte. Só em uma de suas contas no exterior, há US$ 23 milhões.
Era íntimo do poder. Lula o tratava por “Paulinho” — o Apedeuta, como se sabe, é doce com os amigos… Pois bem: Paulo Roberto revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. O ex-ministro da Fazenda, que já tinha sido membro do Conselho da Petrobras, precisava, com urgência, de R$ 2 milhões. Sim, vocês entenderam: pediu, segundo o engenheiro, que a quadrilha que traficava com o interesse público lhe arrumasse a dinheirama. Nota à margem: em 2010, Palocci era um dos três homens fortes da campanha de Dilma. Os outros dois eram José Eduardo Cardozo, hoje no Ministério da Justiça, e José Eduardo Dutra, hoje numa diretoria da Petrobras. Dilma os apelidou de seus “Três Porquinhos”. Palocci, um dos porquinhos, virou ministro da Casa Civil, mas teve de deixar o cargo porque não conseguiu explicar como ficou tão rico atuando como… consultor. Adiante.
Dilma tem feito o diabo para sustentar que não sabia da casa de horrores em que havia se transformado a Petrobras. Como notou um ouvinte de “Os Pingos nos Is”, o programa  diário que ancoro na Jovem Pan, a “candidata Dilma” é aquela que finge saber tudo, e a “presidente Dilma” é aquela que nunca sabe de nada.
O dinheiro, afinal, foi parar no caixa dois da campanha de Dilma? A ver. Paulo Roberto operava por cima: negociava a propina com as empreiteiras, pegava a sua parte e depois deixava a cargo dos políticos. A sua diretoria pertencia à cota do PP — e foi a essa cota que Palocci pediu o dinheiro. A distribuição da bufunfa era feita pelo doleiro Alberto Youssef, que também fez um acordo de delação premiada. Ele poderá dizer se a dinheirama ajudou a financiar a campanha da agora presidente, que concorre à reeleição.
Embora adotado pelo PMDB e pelo PT, reitere-se, Paulo Roberto era o homem do PP. Os petistas, no entanto, tinham também o seu braço na estatal: Renato Duque, que ficou 10 anos na Diretoria de Serviços. Segundo Paulo Roberto, Duque operava exclusivamente para os petistas. Não percam isto de vista: de acordo com a denúncia, Palocci foi pedir R$ 2 milhões da cota do PP. Se mais pediu de outras cotas, eis uma possibilidade que tem de ser investigada.
Atenção! Paulo Roberto Costa só poderá ser beneficiado pelo estatuto da delação premiada se as informações que fornecer forem úteis à investigação. Se está prestes a sair da cadeia, é sinal de que a apuração está avançando.
Palocci e Dilma negam qualquer irregularidade e dizem não saber de nada.
Por Reinaldo Azevedo segue o link.
By Carla Luts

A COISA ANDA PRA LÁ DE FEIA PRO LADO DA DILMA

A corrupção no Brasil toma contornos inimagináveis, que realmente não sei se nos estarrece cada vez mais ou se nos anestesia devido à sua constância. Virou rotina em nossos noticiários e perdemos a cada dia a nossa capacidade de indignarmos com coisas tão graves. Não sei neste momento o que nos é mais terrível: a nossa letargia diante de fatos tão assustadores ou os próprios fatos. Tiremos a conclusão. 

AÉCIO NEVES: Petrolão na campanha eleitoral de Dilma em 2010 é grave e assustador

Aécio com Ronaldo Fenômeno durante caminhada em Osasco (SP), hoje: forma de o PT lidar com a corrupção é "indecorosa" (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
Aécio com Ronaldo Fenômeno durante caminhada em Osasco (SP), hoje: “Tudo o que aprendemos com nossos pais e avós — como não roubar e não mentir, ter decência (…) –, tudo isso o PT está jogando pela janela, por sua sanha por poder e dinheiro” (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
O candidato, que corre contra o tempo para angariar votos e chegar ao segundo turno, ainda classificou como “indecoroso” o modo de o PT administrar a corrupção
Por Bruna Fasano, de VEJA.com
O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, classificou de “assustadora” a informação de que a campanha que elegeu Dilma Rousseff em 2010 pediu dinheiro ao esquema do ‘petrolão’. ”É assustador o que vem acontecendo no Brasil. A cada semana, a cada dia, uma nova denúncia de corrupção. É extremamente grave”, afirmou o candidato na manhã deste sábado.
Reportagem publicada na edição desta semana de VEJA informa que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, no processo de delação premiada, disse às autoridades que, no fim do governo Lula, o ex-ministro Antonio Palocci o procurou para pedir 2 milhões de reais para a disputa de então à Presidência da República.
“É urgente que essas investigações sejam aprofundadas”, disse Aécio, que prometeu, caso eleito, “tirar a Petrobras das garras desse grupo político que se apoderou da nossa maior empresa pública para fazer negócios”.
O candidato, que corre contra o tempo para angariar votos e chegar ao segundo turno, ainda classificou como “indecoroso” o modo de o PT ‘administrar a corrupção’. “Vamos estabelecer um combate sem tréguas à corrupção. No meu governo, independente de partidos políticos, se alguém for pego tendo cometido qualquer irregularidade não será tratado como herói nacional, como gosta de fazer o PT, será tratado com o rigor da lei”, afirmou Aécio. leia leia mais

By Carla Luts