sábado, 27 de setembro de 2014
A COISA TÁ PRA LÁ DE FEIA PRO LADO DA DILMA 2
Segundo Paulo Roberto, em 2010, Palocci apelou ao esquema corrupto para financiar a campanha de Dilma
O engenheiro Paulo Roberto Costa, que está preso na Polícia Federal do Paraná, deve ser solto até segunda-feira. Será monitorado por uma tornozeleira eletrônica. A liberdade é parte do acordo de delação premiada. De saída, pode-se afirmar que a concessão só está sendo feita porque se considera que, até aqui, ele efetivamente está contribuindo para desvendar os meandros dos crimes cometidos pela quadrilha que operava na Petrobras. Há duas semanas, VEJA revelou parte do que ele disse à Polícia e ao Ministério Público, incluindo a lista de políticos que, segundo ele, se beneficiaram do esquema. Lá estão cabeças coroadas do Congresso e também o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Na edição desta semana, VEJA revela um conteúdo que compõe o núcleo atômico da denúncia. Paulo Roberto liga o esquema corrupto à eleição de Dilma Rousseff em 2010. É isso mesmo!
Costa, como se sabe, era diretor de Abastecimento da Petrobras. Por sua diretoria, passavam negócios bilionários, como a construção de refinarias, aluguel de navios e plataformas e manutenção de oleodutos. Ele chegou ao posto em 2004 — e lá permaneceu até 2012, já no governo Dilma — pelas mãos do PP, mas foi adotado depois pelo PMDB e pelo PT. As empreiteiras que negociavam com ele pagavam 3% de comissão, e o dinheiro era distribuído, depois, a políticos. Sim, Paulo Roberto pegava a sua parte. Só em uma de suas contas no exterior, há US$ 23 milhões.
Era íntimo do poder. Lula o tratava por “Paulinho” — o Apedeuta, como se sabe, é doce com os amigos… Pois bem: Paulo Roberto revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. O ex-ministro da Fazenda, que já tinha sido membro do Conselho da Petrobras, precisava, com urgência, de R$ 2 milhões. Sim, vocês entenderam: pediu, segundo o engenheiro, que a quadrilha que traficava com o interesse público lhe arrumasse a dinheirama. Nota à margem: em 2010, Palocci era um dos três homens fortes da campanha de Dilma. Os outros dois eram José Eduardo Cardozo, hoje no Ministério da Justiça, e José Eduardo Dutra, hoje numa diretoria da Petrobras. Dilma os apelidou de seus “Três Porquinhos”. Palocci, um dos porquinhos, virou ministro da Casa Civil, mas teve de deixar o cargo porque não conseguiu explicar como ficou tão rico atuando como… consultor. Adiante.
Dilma tem feito o diabo para sustentar que não sabia da casa de horrores em que havia se transformado a Petrobras. Como notou um ouvinte de “Os Pingos nos Is”, o programa diário que ancoro na Jovem Pan, a “candidata Dilma” é aquela que finge saber tudo, e a “presidente Dilma” é aquela que nunca sabe de nada.
O dinheiro, afinal, foi parar no caixa dois da campanha de Dilma? A ver. Paulo Roberto operava por cima: negociava a propina com as empreiteiras, pegava a sua parte e depois deixava a cargo dos políticos. A sua diretoria pertencia à cota do PP — e foi a essa cota que Palocci pediu o dinheiro. A distribuição da bufunfa era feita pelo doleiro Alberto Youssef, que também fez um acordo de delação premiada. Ele poderá dizer se a dinheirama ajudou a financiar a campanha da agora presidente, que concorre à reeleição.
Embora adotado pelo PMDB e pelo PT, reitere-se, Paulo Roberto era o homem do PP. Os petistas, no entanto, tinham também o seu braço na estatal: Renato Duque, que ficou 10 anos na Diretoria de Serviços. Segundo Paulo Roberto, Duque operava exclusivamente para os petistas. Não percam isto de vista: de acordo com a denúncia, Palocci foi pedir R$ 2 milhões da cota do PP. Se mais pediu de outras cotas, eis uma possibilidade que tem de ser investigada.
Atenção! Paulo Roberto Costa só poderá ser beneficiado pelo estatuto da delação premiada se as informações que fornecer forem úteis à investigação. Se está prestes a sair da cadeia, é sinal de que a apuração está avançando.
Palocci e Dilma negam qualquer irregularidade e dizem não saber de nada.
By Carla Luts
A COISA ANDA PRA LÁ DE FEIA PRO LADO DA DILMA
A corrupção no Brasil toma contornos inimagináveis, que realmente não sei se nos estarrece cada vez mais ou se nos anestesia devido à sua constância. Virou rotina em nossos noticiários e perdemos a cada dia a nossa capacidade de indignarmos com coisas tão graves. Não sei neste momento o que nos é mais terrível: a nossa letargia diante de fatos tão assustadores ou os próprios fatos. Tiremos a conclusão.
AÉCIO NEVES: Petrolão na campanha eleitoral de Dilma em 2010 é grave e assustador
Aécio com Ronaldo Fenômeno durante caminhada em Osasco (SP), hoje: “Tudo o que aprendemos com nossos pais e avós — como não roubar e não mentir, ter decência (…) –, tudo isso o PT está jogando pela janela, por sua sanha por poder e dinheiro” (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
O candidato, que corre contra o tempo para angariar votos e chegar ao segundo turno, ainda classificou como “indecoroso” o modo de o PT administrar a corrupção
Por Bruna Fasano, de VEJA.com
O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, classificou de “assustadora” a informação de que a campanha que elegeu Dilma Rousseff em 2010 pediu dinheiro ao esquema do ‘petrolão’. ”É assustador o que vem acontecendo no Brasil. A cada semana, a cada dia, uma nova denúncia de corrupção. É extremamente grave”, afirmou o candidato na manhã deste sábado.
Reportagem publicada na edição desta semana de VEJA informa que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, no processo de delação premiada, disse às autoridades que, no fim do governo Lula, o ex-ministro Antonio Palocci o procurou para pedir 2 milhões de reais para a disputa de então à Presidência da República.
“É urgente que essas investigações sejam aprofundadas”, disse Aécio, que prometeu, caso eleito, “tirar a Petrobras das garras desse grupo político que se apoderou da nossa maior empresa pública para fazer negócios”.
O candidato, que corre contra o tempo para angariar votos e chegar ao segundo turno, ainda classificou como “indecoroso” o modo de o PT ‘administrar a corrupção’. “Vamos estabelecer um combate sem tréguas à corrupção. No meu governo, independente de partidos políticos, se alguém for pego tendo cometido qualquer irregularidade não será tratado como herói nacional, como gosta de fazer o PT, será tratado com o rigor da lei”, afirmou Aécio. leia leia mais
By Carla Luts
By Carla Luts
Assinar:
Comentários (Atom)